terça-feira, 28 de dezembro de 2004

Radio Geneve quase em 2005

Feliz ano novo!!!

Em 2005, a Radio Geneve iniciarà suas atividades atodo vapor e muitas novidades nos esperam: entrevistas, criticas literarias e de cinema, musica emuito, muito mais...

Para esquentar as turbinas, a Radio Geneve, com muito custo, conseguiu uma entrevista com seu mentor intelectual, Thiago Luchesi, a qual reproduzimos aseguir na integra:

RG - Por que a Radio Geneve foi criada?

Thiago - Nem sempre é facil responder a esse tipo depergunta... (risos) Mas eu diria que é para manter contato com os amigos que deixei no Brasil. Alem disso, é uma maneira de criar uma ponte da minha vida no Brasil com a vida atual aqui na Europa.

RG - E por que nao fazer um blog, por exemplo, em vez de mandar emails para tantas pessoas?

Thiago - De fato, nao é facil mandar esses emails para mais de 60 pessoas... Mas, por mais que seja inconveniente - o Yahoo sempre acha que estou mandando spam e as vezes me impede de mandar as mensagens - gosto de ter a sensaçao de ingressar na vida das pessoas, mesmo que elas nao me queiram. E com relaçao ao formato, penso que as pessoas gostam de ter um certo sentimento de familiaridade com os emails que recebem. O formato fixo (algumas noticias, uma musica, um comentario, uma vinheta), eu imagino, cria uma certa cumplicidade, mais ou menos como ocorria com os folhetins, ou mesmo como ocorre atualmente com as novelas.

RG - Como voce imagina que o publico recebe sua radio?
Thiago - Confesso que nao me prendo muito a isso. A arte de escrever ou de comunicar està, para o criador, muito mais no ato de criaçao do que na relaçao do seu produto com os receptores. Embora a reaçao das pessoas complete o ciclo comunicativo e o artista esteja em constante comunicaçao, é como se fossem duas realidades distintas. Veja o Billy Elliot, por exemplo, aquele do filme, a vida pra ele é dançar.Enquanto ele dança, nada mais no mundo importa: nao é a toa que ele compara a sua sensaçao de dançar a eletricidade... Essa sensaçao, radicalmente pessoal, nao tem nada a ver com o impacto da dança sobre o publico, que é um movimento posterior...

RG - O que voce esta lendo no momento?
Thiago - Nada... E tudo ao mesmo tempo. Tenho sempre comigo o mal estar na civilizaçao, um livro do Jung sobre o nazismo... O sertao do Guimaraes Rosa é um grande companheiro. Adoro ler a revista Men's Health, tem otimas dicas. Leio muitos blogs tambem.

RG - Algum CD em especial?
Thiago - Eu diria o novo CD da Fernanda Abreu, Na Paz. Gosto quando ela menciona o verbo "bombar", que virou giria no Brasil, como sendo uma referencia da violencia das grandes cidades. Gosto do suingue carioca tambem.

RG - Quais sao seus planos para o futuro?
Thiago - Penso em fazer cinema, talvez como cameraman, nao sei bem ainda. Assisti recentemente a um filme que se chama Soy Cuba e fiquei muito impressionado com as cenas que os russos conseguiram fazer. Ha uma cena em especial na qual a camera entra literalmente na agua, o que deve ter sido um escandalo para epoca em que o filme foi rodado. Pelo que sei, grande parte das cenas so foram possiveis graças ao ajudante do cameraman, que tinha soluçoes tecnicas, de engenharia mesmo, mirabolantes e, por isso, o filme acabou sendo muito beneficiado.

RG - Voce pensa na morte?
Thiago - Sim, quase sempre. É um pensamento dificil de esquecer (coloca a mao lentamente sob o queixo). Mas penso que pode ser saudavel essa lembrança persistente de que somos mortais, embora possa causar angustia as vezes .Cada momento pode ser mais bem vivido se temos presente a nossa insignificancia, a certeza de que iremos morrer um dia. Para usar uma expressao do Guimaraes Rosa, tudo é e nao é ao mesmo tempo, e nòs vivemos no meio.

RG - E qual o segredo para a felicidade entao?
Thiago - Nao me atrevo a responder essa... Mas penso que é importante sonhar, a cada momento, no café que poderia ser melhor, na cena que poderiamos ver mais bela, no coraçao que bate mais forte e mais sincero...Enfim, parece-me importante viver sabendo que a historia esta em constante transformaçao, que ela é sempre mais perfectivel, e que nos podemos fazer da vida o filme que nos parece mais belo.

RG - Por fim, gostariamos de pedir uma musica para oferecer aos ouvintes.
Thiago - Gostaria de sugerir a versao do Renato Russo para La Solitudine. É uma cançao simples mas de um sentimento muito profundo na minha opiniao. Gosto do verso que diz "ma il cuore batte forte dentro me".

RG - Voltaremos em breve com a cançao La Solitudine.

Radio Geneve: a Cruzada dos sentimentos.