segunda-feira, 4 de abril de 2005

Radio Genève 04.04.2005

Bonjour !!

Em tempos de comemorações, a Radio Genève, dedica essa emissão à sua musa-do-verão-esposa-virtuosa e atriz principal de suas aventuras, Eila, que viu passar seus felices cumpleaňos no último dia 21 de março.

Aproveitamos a oportunidade para comemorar também o 44° aniversário de nosso cinema novo, ocasião pela qual lembramos aqui o artigo manifesto do baiano Glauber Rocha publicado em 1961 sob o título “Arraial, cinema novo e camera na mão”:

“Queremos um créedito de confiança. Não desejamos nada mais. E, caso não apareçam imediatamente estas ajudas – de elementos que existem e não precisam ser importados – vamos fazer nossos filmes de qualquer jeito: de câmera na mão, em 16 mm (se não houver 35), improvisando na rua, montando material já existente.”

Câmera na mão, despojamento, a luz “brasileira” sem maquiagem em contato com o real, baixo orçamento e compromisso de transformação social: eis o cinema novo que surgia. A Radio Genève pergunta: você aprendeu isso na escola?

E vamos as principais cenas dos últimos dias:

- Um professor de escologia colocou sua TV, recém comprada, no lixo. Entrevistado pela Radio Genève, o professor explicou que havia se cansado das tantas besteiras ditas na TV e por isso acabou colocando-a na rua da amargura. Contam as más linguas que ele cantou o famoso ra-re-ri-ro-rue! para a TV antes de abandoná-la, mas essa informação permanece ainda sem comprovação;

- Na França vizinha, dois garotos foram ejetados de um “brinquedo” instalado dentro de um parque de diversões. Felizmente, ninguém se machucou. A Radio Genève pondera: não é apenas no Brasil que esse tipo de coisa acontece;

- Os cachorros, pássaros e esqulilinhos de Genebra andam felizes da vida com o calorzinho de até 20° trazido pela primavera, depois de um inverno cheio de neves e bebezinhos chorando de frio. Rabos balançando, cantos inéditos e saltos a longa distância têm servido aos bichichos como forma de expressão de seus sentimentos.

E fiquem agora com a canção Tropicália, do baiano Caetano Veloso, gravação de 1972:

Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponte contra os chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No Planalto Central do País

Viva a Bossa -sa -sa
Viva a palhoça -ça -ça -ça -ça

Monumento é de papel crepon e prata
Os olhos verdes de mulata
A cabeleira esconde atrás da verde mata
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira
Entre os girassóis

Viva Maria -ia -ia
Viva Bahia -ia -ia -ia -ia -ia

No pulso esquerdo bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração balança a um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores ele pões os olhos grandes
Sobre mim

Viva Iracema -ma -ma
Viva Ipanema -ma -ma -ma -ma

Domingo é o fino da bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai á roça
Porém
O Monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem

Viva a banda -da -da
Carmem Miranda -da -da -da -da"

E essa música, você teve na escola?

Radio Genève: a cuica brasileira toca aqui

PS A identidade nacional não tem nada de nacional (só um pouquinho), ela se insere num contexto cultural maior. CQD.