Eis o mundo novo que se abre ao contemplativo. Nossos olhos já não podem mais nos enganar. Estamos perto do infinito.
A uma primeira vista, encontram-se os troncos de duas árvores que formam, entre si, a moldura perfeita de um quadro. Diante dessa imagem, somos convidados a entrar.
Assim mergulhamos em rumo ao desconhecido.
Se os olhos ainda estiverem abertos, conseguiremos notar a vegetação abundante que se expande através do relevo irregular da falésia.
Num movimento suave de descida, chegamos à margem do rio.
Dali, podemos ver mais de perto seu desenho e suas curvas, os exatos locais onde a água e a terra têm travado seu embate secular pela ocupação do espaço.
Mais ao fundo, enquanto deslizamos sobre a correnteza macia do rio, constatamos a existência silenciosa de uma montanha, o ponto de encontro perfeito entre a terra e o céu.
Os tons das cores são múltiplos e nítidos, mas há uma coloração esbranquiçada que se impregnou no ar. É ela, a esperança, que nos acompanhará durante todo o caminho.
Em um certo momento, ela se aproxima e nos confia um segredo. A esperança é filha da natureza, repetimos sem pensar o que nos foi contado.
Mas quando perguntamos sobre o futuro, a resposta é sempre a mesma: é impossível aprisioná-lo numa redoma, ele é imprevisível.
Já trêmulo e entorpecido pela explosão de sentidos que tomaram conta de seu corpo e de sua alma, o viajante pergunta, perplexo: a vida então é isso?
E antes que ele possa pensar na indagação que acaba de fazer, uma voz começa a ecoar em seus ouvidos, como uma velha canção, e ela diz: « Não se esqueça do amor, não se esqueça, do amor, sim, do amor, do amor, do amor… »

Champel, Genève, Automne 2005
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